Estes dias estava no trabalho e a pedido de uma amiga, estava fazendo algumas pesquisas no Google sobre alguns artigos a respeito de educação corporativa. Entre uma página e outra, vi no rodapé de um dos sites que entrei para consultar, o nome de uma crônica muita parecida com algo que havia escrito. Na verdade, o título e o contexto eram exatamente os mesmos que o da minha crônica. Na hora achei que havia sido vítima de plágio, mas ao abrir a matéria publicada pela Revista Literatura, descobri que o texto que havia enviado, tinha sido publicado. Fiquei super contente, pois esta foi minha segunda crônica publicada este ano.
A matéria está no site: http://literatura.uol.com.br/literatura/figuras-linguagem/39/um-degrau-chamado-desafio-e-o-superpoder-chamado-coragem-242139-1.asp
E para quem estiver com “preguicinha” de ir até lá, pode ler a crônica aqui mesmo.
Segue abaixo mais uma de minhas aventuras:
Quando eu era mais nova, entre os quinze e dezesseis anos, tive a primeira oportunidade de emprego. Era uma vaga para instrutor de inglês. Fiquei tão feliz com a proposta que não pensei duas vezes e logo aceitei o desafio.
Passei por um processo de treinamento antes de assumir a minha primeira turma. Comecei com aulas de plantão de dúvidas, aulas extras, reforço, aplicação de provas e aulas individuais. Esse período foi de grande valia para a etapa que viria logo em seguida. É importante ressaltar que nessa época eu quase nem falava! Minha voz era inaudível e minha timidez era um problema! Tudo isso foi trabalhado para que eu pudesse interagir em sala de aula. No entanto, apesar de todas as orientações e da linda teoria, descobri que isso só seria superado na prática! Quanto mais eu orava a Deus para me ajudar a perder a timidez, mais situações apareciam. Queria que algo sobre natural me fizesse uma pessoa mais comunicativa. Na verdade, eu estava esperando uma aranha de laboratório me picar e me dar a super coragem! Ou melhor, cair no lixo tóxico e virar a super Eryka! Brincadeiras a parte. Realmente não seria como nas histórias em quadrinhos de origem americana, mas foi como nos desenhos orientais (mangas) onde os discípulos precisam treinar e praticar diariamente, até ficarem tão bons quanto seus mestres. Simples assim: tive apenas que trabalhar duro como todas as pessoas que conquistaram alguma coisa na vida e ter coragem para encarar o desafio, ou seja, foi na raça! Imagina a sensação do primeiro contato com os alunos! Tive vontade de dizer que havia entrado na sala errada e que a professora estava chegando, mas ao mesmo tempo queria aquele desafio para mim. No fundo sabia que aquilo seria bom, só não imaginava o tamanho da responsabilidade. Sentia-me como Davi enfrentando Golias!
Consegui ministrar a primeira aula foi uma grande conquista, pois falar em público era algo complexo demais para mim. Até hoje, ainda me embaralho com as palavras, mas a vergonha já não é um problema tão grande quanto antes.
Meus alunos, pelo menos a maioria, tinham o dobro e até mesmo o triplo da minha idade. A idade era um obstáculo muitas vezes. Uma vez uma aluna me disse que não via em mim capacidade para suprir suas necessidades em conhecimentos em tão pouco tempo, já que esta faria uma viagem dentro de três meses. Não era fácil e nem agradável ouvir palavras como essas! Pensei em desistir várias vezes. O que me ajudou a permanecer foi a fé em Deus e os encorajamentos tanto dos meus familiares quanto dos meus gestores. Eu não queria fazer feio na frente dos alunos e eu precisava conquistar a confiança deles. Foi aí que comecei a elaborar estratégias de ensino. Comecei a inventar jogos de palavras, dobraduras, dinâmicas, trazer vocabulários específicos das áreas de atuação dos educandos, bilhetes de encorajamento para os alunos com dificuldades e até exercícios físicos nós fazíamos quando o sono batia! Precisava conhecer o perfil do corpo discente para então preparar aulas com significados. O cansaço físico de um longo dia de trabalho, cheio de problemas, trânsito e às vezes enchentes, a correria diária, tudo isso afetava a concentração e a compreensão dos alunos. Por isso me preocupava em realizar aulas dinâmicas e motivacionais. Tudo isso era mesclado no planejamento das aulas. As coisas começaram a fluir de forma pragmática!
Nesse tempo eu ainda não tinha conhecimento profundo sobre o que era a palavra ensinar. Só após me formar em Pedagogia, notei que essas estratégias aplicadas às aulas estavam relacionadas à aprendizagem significativa. Foi nessa época que aprendi a personalizar as situações! Toda a experiência que tive com meus alunos foi recíproca, ou seja, o aprendizado foi uma troca de informações e experiências. Paulo Freire, um dos mais conceituados educadores da história da Educação, disse a seguinte frase:
“Ninguém educa ninguém, nem ninguém aprende sozinho, nós homens aprendemos através do mundo”.
Foi um Golias e tanto, mas graças a Deus esse degrau eu superei. Qual será o próximo?
Texto publicado na Revista Literatura. Data: Dez/2011